Terça-feira, Fevereiro 13, 2007

Pensava que a mente vivia de solidez. Mas agora que recordo meus esquecimentos, penso que o cérebro é feito de quase nuvens. Isso de sempre me esquecer é desanuviar, espero a chuva passar. Meus pensamentos sopram espaçamentos de tempestade – sempre como saúde para manter leve e branco o que antes era turvo de raios e trovões. Quando trovejo não há sinal de solução. Caminhando um pouco mais até qualquer canto sem bússola. Quantificando o mau tempo. Dentro da instabilidade da densidade. Penso que a tempestade se regula automaticamente e não penso mais. Compreendo que tudo o que me passa pode ser nuvem clara novamente. Poderei até ficar calmo e silencioso transformando brancas nuvens em brancos lençóis. Pois já se foi tempestade. Tecido exposto ao sol como uma vela branda e imensa. Um trapo navegante no azul. Agora, não tenho nuvens, tenho um trapo branco e este pode me cobrir tal qual uma capa mágica; navego no ar ou me cubro com o resultado do trovão. Posso até fazer um nó. O meu tecido brando. Posso até me ancorar. Eu posso tudo quando passa a tempestade.

1 comentários:

maria disse...

feliz de quem consegue parar de trovejar - ou de quem aprende a trovejar só por dentro, como espasmo de alegria. e não como explosão de fúria.
assim que quero caminhar.
bjo-relâmpago