Domingo, Novembro 04, 2007

Caso Antigo

Sinto muito por tê-lo encontrado, mil desculpas – rangendo assim os dentes. Me afeta demais ser amoroso, eu não imploro por dias melhores; sei que melhor não há debaixo dos meus lençóis. Quando chegou aqui ficou tudo tão grande, o cheiro da sua pele combina com o meu. Eu vou te fazer um carinho, mas posso te violentar. Pare de me olhar e me jogar para fora da cama e se cair mesmo – vai lá, cata meu corpo e me abraça. Eu não posso mais deixar de me atrever, então, me preocupa a chuva do fim de semana quando viajar é muito pior. As nuvens cinzas invadem meu cérebro e a neblina forma seu rosto. Tô longe, tô mal e tudo bem. Parece que não chega a hora de voltar. Difícil demais. O corpo cansado foi até o Arpoador pôr as pernas no mar, eu subi até Santa e voltei da Lapa – só penso em você. Milhares de vezes muito prazer porque te conheço a cada dia novo e não sei como me comportar. Aquele sonho surreal para tamanha complexidade foi charme? É tudo bem mais simples – tire os óculos e me beije. Tentei alcoolizar a nossa noite, mas no meio do caminho deu errado, perdi o controle. Tracejei uma nova rota, vai pontilhando daqui até seu peito – demarco passos na cidade sem desconfiar que meu pensamento te seguiu todos esses dias. Vou te segurar pelo pescoço – acariciei seus cabelos – desci forte a mão e cerrei o movimento sobre os meus joelhos. Pode me olhar de novo? Pode repetir tudo? Peço para não dar errado? Porque deu tão certo? Muito prazer... Vou te encontrar de novo. Não te conheço. Não me conhece. O amor é um caso impossível. Desculpe o meu amor – foi acidental. Restam alguns dias e próxima partida. Partiu? Vai me partir no meio? Racionalize o amor – raiz quadrada da paixão. Matemática não deu não. Vou guardar todas as lembranças, cristalizando-se o coração. Imagina uma maçã do amor... é igual, palitinho e tudo. To botando seu coração pra paralisar com calda de açúcar forte. Vou tirar quantas fotografias puder... daqui pra frente vai dar tudo errado. Vai ser imortal – documentado e protocolado aqui nos arquivos guardados seguramente para segurar a mega onda de insegurança. Essa fábula... Tô tomando as rédeas da situação; pra não te perder vou construir uma redoma e abastecer nossa videoteca, levar música e bebida, só o necessário. Vai nevar isopor e este amor se transformará num instante preso – delírio de paraíso artificial. Como qualquer suvenir de estante.

3 comentários:

pow! disse...

AAAAAHHHHH!!! q texto lindo... me emociona, sempre... amo! beijo cheio de saudade!

Marcelo disse...

Tinha tempo que não passava por aqui... Putz, que foda!

Duda disse...

"não vejo a hora de voltar"

uma merda ficar longe de quem a gente gosta!! beijo, gato