Fui um vampiro
Mas foi você quem me bebeu
Lentamente
Um corpo cósmico
Evapora-se
A dilatação contínua de seus poros
Pêlos
Pele
Lua em náusea
Transe solar
Nem teus óculos escuros escondem tua noite
O corpo samba numa faixa de areia
Meio Caio
Meio Cazuza
Meio cacetada
Meio cara amigo
Meio caralho aí e tal
Meio castanho
Meio carinho
Meio casa
Meio castrado
Meio coração
Pupila dilatada que nada
Charme de agredir o mundo
Pancadão filosófico
Essência cuspida no rosto de outro
Do colchão furado que é quase um vazio
Enfia o dedo no vazio porque me seduz
Pede
Beija
Dorme
Como se qualquer mar fosse azul daquele tanto
E todo dia começasse daquele jeito
Só reclama da raiva
O resto todo é fácil
O mundo reduzidinho ao mau humor
A língua coça o céu estrelado
Tua nuca
Tua fuça
Teu planeta “qual é!”
Envolvente
O branco do dente
A ponta do dedo
Tua pele é James Dean
Queimei todo meu rock
Aconteceu de achar perdido o pôr-do-sol
Soprou o destino não desperdiçado
Inverte-se amando acordado
Nada de romance, senha, telefone
Por nenhuma virada de esquina sai imune

1 comentários:
ele é carioca, ele é carioca
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