Domingo, Novembro 29, 2009

Inveja branca do poetas mais dramáticos
O coração apunhalado
O rapaz ama um homem
O amor aumentando na estação
A espera cresce com a dúvida
Não sabe se escreve o que sente
Se mesmo o que sente é inventado
Reina a vocação pop do seu coração
Vozes do rei – tropicália e um banquinho
Trovador das mesmices do cotidiano
Nada de organizar o caos
A solidão do farol o ilumina
Nenhuma metáfora te satisfaz
Vai testando o campo minado
Pode ser de cair ou levantar
Uma apartheid amorosa
Quer mais que classicismos poéticos
Quer a palavra encantada
Um suporte para seu nonsense barroco
Beber e dançar sem culpa
Música que poderia ser infinita para os ouvidos
Nascer e morrer em uma mesma seqüência
Beijo e lágrima
Um só take
Cinema-super-novo
Ode a amores sem futuro
Novela moderna
Falhas de identidade perdida
Cirurgia plástica na cicatriz
Todo o medo o tempo todo
O peito empedrando momentos
A esperança correndo por entre um grand canyon
Dorian e o retrato
Distúrbios de superfícies
Enlaces digitais
Beijo na boca fluo
Densidade enlatada
Vazio sem correspondência real
A criação da pílula do amor em teste
Macumba da ilusão
Rascunha o destino agora
Não sede à inveja dos poetas mortos e famosos
Se nada der certo enfim
Sua palavra além irá
Tudo porque um homem te beijou na boca
Sua boca oca o engoliu
Como se tomasse posse do infinito eu
Como se soubesse o rastro cósmico de uma paixão
E há tudo o que diz e não faz sentido, mas vive
E há tudo o que não compreende, mas ama

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