Quinta-feira, Janeiro 19, 2012
Ser assim do jeito que era
Assim mesmo como ser você
Não há diferença entre o palpável e o lúdico
Só indiferença
Ao tédio, ao longe, ao menos
Uma força indomável
A palavra solta na caverna da boca
A saliva acumulada no entusiasmo
Embaraço de existir apenas
Não avisaram que tal fatalidade estava para nascer
Romantismo barato e de humor alterado
Apostando fichas para perder o controle
Transgredindo imagens em um labirinto de espelhos
Sobrepondo-se
Desfazendo-se
Retomando-se
Destruindo-se
Dedos no gelo
Uma rodada apenas
A voz rouca de embalar noites
Essencial lapidação da brutalidade
Desfecho da vida como um fim de tarde
A vitrola desenrola um jazz
Ainda há muito a ser feito
E um pouco de amor guardado no peito
Nos demos conta – era só cotidiano
As bocas que eu e você beijamos
Vem a vida e mistura tudo
Parece casa de homem
Tem afeto embutido em alguma cômoda
Tem pôster de rock
Ainda tem os adesivos de planetas fluorescentes no teto
Isso – o teto!
O resto todo – um sim, outro não
Pairando feito raio
Desce, chega ao solo e queima
É para não gastar todos os foguetes
Até Marte tocaria uma música do Blur
E eu que sou eu
E nós que somos os mesmos
Buscamos conhecimento
No vai e vêm da vida
Uma transgressão
Não a entendes
Apague a luz do quarto
Parece um corpo infantil
Sei lá que diabos cada lembrança provoca
No fim você me beija no escuro
Por tabela, ou bem dado o recado
É que não irás acordar amanhã
E por algum motivo solto
Nos lembraremos a qualquer data incerta
Somos uns dos outros
Domingo, Novembro 29, 2009
Acordo intensamente vazio
Uma tempestade me isola do mundo
Concentro-me a mirar listras da faixa de pedestre
Contemplação não serve para nada
Mas olhar para as listras me faz feliz
Estou a ponto da excitação completa
O vazio, as listras e a tempestade fazem sentido
Ressoam em mim meu momento
Por mais que seja qualquer coisa menor
Eu me sinto forte por sofisticar uma banalidade
Não sou o único
Não sou o mesmo
Vou atravessar as listras até o outro lado
Redimindo-me de mesmices e absurdos
Meus passos me tornam dono do mundo
O coração apunhalado
O rapaz ama um homem
O amor aumentando na estação
A espera cresce com a dúvida
Não sabe se escreve o que sente
Se mesmo o que sente é inventado
Reina a vocação pop do seu coração
Vozes do rei – tropicália e um banquinho
Trovador das mesmices do cotidiano
Nada de organizar o caos
A solidão do farol o ilumina
Nenhuma metáfora te satisfaz
Vai testando o campo minado
Pode ser de cair ou levantar
Uma apartheid amorosa
Quer mais que classicismos poéticos
Quer a palavra encantada
Um suporte para seu nonsense barroco
Beber e dançar sem culpa
Música que poderia ser infinita para os ouvidos
Nascer e morrer em uma mesma seqüência
Beijo e lágrima
Um só take
Cinema-super-novo
Ode a amores sem futuro
Novela moderna
Falhas de identidade perdida
Cirurgia plástica na cicatriz
Todo o medo o tempo todo
O peito empedrando momentos
A esperança correndo por entre um grand canyon
Dorian e o retrato
Distúrbios de superfícies
Enlaces digitais
Beijo na boca fluo
Densidade enlatada
Vazio sem correspondência real
A criação da pílula do amor em teste
Macumba da ilusão
Rascunha o destino agora
Não sede à inveja dos poetas mortos e famosos
Se nada der certo enfim
Sua palavra além irá
Tudo porque um homem te beijou na boca
Sua boca oca o engoliu
Como se tomasse posse do infinito eu
Como se soubesse o rastro cósmico de uma paixão
E há tudo o que diz e não faz sentido, mas vive
E há tudo o que não compreende, mas ama
Quinta-feira, Outubro 15, 2009
A nova novela está ruim de aceitar
Se os lábios tiverem que se encontrar
Como vai ser desplugar tudo?
Coração mente e corpo
Pirei na proporção do que é sexo e amor
Te vi pirando sem saber
Levar em conta leva muito
Agora conta tudo para mim
A mesma história
Vou botar fé e agüentar por opção
Vai deixar o coração em vão?
Vai querer sabotar tudo
Um míssel anti-amor no seu terreiro
Depois não me chore o ombro inteiro
Cada um deve saber o que merece
Pronto para mais um feriado
Quadrante sufocante
A lembrança velha, enrugada
Poderia eu permanecer sem temer
E passar ileso ao meu passado paralelo
E passar sem um sorriso
Sem passatempo
Está dado o jogo
Você joga
Está dado o fogo
Você se queima
Está dado o entusiasmo
Você me ama
Você que curte o meu pau duro
O meu humor negro
A minha pilha de livros e revistas que te faz espirrar
As estantes cheias de câmeras ocultas a nos fotografar
Sexo, álcool e romantismo
Seu ‘risco and roll’
Jazzido, temido... ainda procurado
Tentativas de estabelecer planos
Amenizar enganos
Eu não to a puta da sua luz vermelha
To rezando a missa toda – não a metade
Encaro a real
Aceito pagar sem troca
O preço de estar disposto
Aceito teu corpo
E vejo você abraçando o meu
Sabemos o que fazemos a nós mesmos
Só não me deixe recado na secretária
Só não me peça para não te beijar tanto
Agora saiba que a luz se apaga
E careta nenhum chupa o meu pau
Não ache que você é dos reis
Posso receber outros com pompas imperiais
Charme incógnito seu nome
Cheiro familiar da sua roupa
Cama desnuda
Armadilha feita em silêncio
Cruza a rua sem ver os carros
Volta para casa e fecha a porta devagar
Agora sente a falta da futilidade
Eu no escuro te salvando com piadas
Eu com a maior calma do mundo
E você finge não pensar em nada
Terça-feira, Outubro 06, 2009
Segunda-feira, Julho 20, 2009
Mais que eterna
A cidade coroada no coração
Aí está e não existe
Estou a mirar teus homens
Tenho uma ponte iluminada
Passeiam amores e vertigens
Engano-me do que seria único
Único é aquilo que teria esquecido
Porém teu beijo me dá tua alma
Devolvo um carinho com gosto de vinho desperdiçado
Sinto-me á vontade no escuro
Fim do mundo
O que é que temos?
O que é que tem?
Beijar-te não pesa
Posso levar sem sentir
Posso escolher os pesos que gostaria
Nada é verdade
São só camadas alucinantes de paixão
Vou até o destino
Está incrustado
Como pedra na terra
Porém solto
Não temos acento certo
Me deste um vocabulário imaginário
Acentuo com circunflexo o amor
Estendo tudo até que tudo seja bem caseiro
Rompe-se quando nos soltamos
Pouco a pouco espero chegar aviso teu
Deixamos Oiticicas e Fridas em vão
Dou o melhor de mim
O mesmo vindo do seu jeito
Entre um tango e um samba
Um oásis de linda melancolia
Sexta-feira, Julho 17, 2009
Jurados de amor no cimento
É bobo pra depois de tanto lamento
Ser segredo em forma de sentimento
Pensar que já existiu troço espontâneo assim
Você chega e conta do sol
Lembra do parque a que fomos tantas vezes?
Eu e você
Você e o outro
O outro e eu
E também todos nós
Juntos
Eu que num segundo engoli a amargura
Você que me contou dos seus lances
Os romances mais perfeitos
Você que nunca deixou de fazer carinho na orelha de ninguém
Sua mãe que te contou e te pergunta até hoje onde está seu amiguinho
Devastadoramente singelo
Inaceitável
Crime que você comete de novo comigo reclamando
“Não acredito mais no amor”
Este amor que tudo te deu
Breu, beijo e adeus
Sorte, calor e amizade
De tanto abraçar outros nas tardes chuvosas
Você me beija com o beijo de quem quer me ter
E que lua te deu?
E porque com esta idade você é capaz de tudo isso?
Qualquer coisa
Plantações de morango em Vênus
Minha kriptonita inversa... compartilhamento de zinco
Posso de novo acreditar
Em algum lugar há um amor
Do meu, do outro, partindo de alguém
Com tamanha força e partindo do nada como bobagem qualquer
Você leva o amor a sério demais
Te empresto uma toalha para se enxugar e voltar pra vida
Uma vida lá de fora
E aqui dentro – contundente
A falta de luz merecida
Meia noite dormida
Um elogio
Eu acredito
Favor não me esquecer
Tipo que...
Tatuagem vagabunda de chiclete Ploc
Não conta pra tua mãe
Eu até hoje não contei pra minha
Guarda tudo até a próxima vez
Que vai ser legal demais
Segunda-feira, Julho 13, 2009
O que vale é só a troca
Pois quando está aqui se dissolve
Em mim
Em tudo
Em nada
Em nunca
Em razão
Em ilusão
O que vale é só a troca
Pois quando você vem e nem sabe por que está aqui
Quer-me
Suga-me
Chama-me
Distrai-me
Abstrai-me
Eclipsa-me
O que vale é só a troca
Pois quando você vai com cara de quem não volta
Destrói-se
Apedreja-se
Remói-se
Manifesta-se
Divorcia-se
Se eu quero
