Segunda-feira, Julho 13, 2009

O que vale é só a troca

Pois quando está aqui se dissolve

Em mim

Em tudo

Em nada

Em nunca

Em razão

Em ilusão

O que vale é só a troca

Pois quando você vem e nem sabe por que está aqui

Quer-me

Suga-me

Chama-me

Distrai-me

Abstrai-me

Eclipsa-me

O que vale é só a troca

Pois quando você vai com cara de quem não volta

Destrói-se

Apedreja-se

Remói-se

Manifesta-se

Divorcia-se

Se eu quero

Quarta-feira, Maio 20, 2009

Estou prestes a arrasar

Estas prestes a arrastar-se

Estou prestes a amar

Estas prestes a arrasar-me

Mundo muito agudo

De que agudo você veio?

Um agudo oco

Um agudo morto

Um agudo fôlego

O porém do onde

Será que existe?

Veio-se agudo

Que agudo seja

Porém não mais que a voz

Que a voz do fundo

Fez-se a voz do mundo

Calou profundo agudo

Engoliu tudo

Vomitou mundo

Desfaz o tom

Guarda segredo

Um criado mudo

Um sentimento torto

Mais que algum segundo

Para mover o mundo

Um agudo meu

Domingo, Março 22, 2009

O Méier pra lá do Jardim de Alah

Indo e vindo pelo canal

Correspondo-me com o Cristo

Vejo-o abraçando a noite

Abraço um estranho também

Se de cima o Cristo pode ver o Méier

Eu não

Mas aqui debaixo confio

E não só vejo

Acredito na ilusão

E o Méier é ali

Depois do Canal

Depois do Jardim

Abre vontades

Mescla ondas de calor

Sela o silêncio

Esconde a verdade

Muda a geografia do coração

Rotas inesperadas

Confunde o próprio espaço

Redimensiona o Rio que sinto

Fecha os olhos e sussurra: Méier

Lambi seu Love

Por acaso no pescoço

L.O.V.E

Times New Roman

E eu que nunca fui à apoteose

Fui direto ao Love certo

Com carinho de quem me conhecia

Com certa timidez inesperada

Um palpite de uma amiga

Música certa para momento certeiro

Sentia os beijos no pescoço

Quisera gravar seu Love em mim

Cravando foi

Love me

Love you

Love all

Love Rio

E eu que nunca fui à apoteose

Sei agora o que é Sapucaí

Nem de samba e nem de rock

Deixei surdo o corpo todo

E você lançou seu Love em mim

Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009

Fui um vampiro

Mas foi você quem me bebeu

Lentamente

Um corpo cósmico

Evapora-se

A dilatação contínua de seus poros

Pêlos

Pele

Lua em náusea

Transe solar

Nem teus óculos escuros escondem tua noite

O corpo samba numa faixa de areia

Meio Caio

Meio Cazuza

Meio cacetada

Meio cara amigo

Meio caralho aí e tal

Meio castanho

Meio carinho

Meio casa

Meio castrado

Meio coração

Pupila dilatada que nada

Charme de agredir o mundo

Pancadão filosófico

Essência cuspida no rosto de outro

Do colchão furado que é quase um vazio

Enfia o dedo no vazio porque me seduz

Pede

Beija

Dorme

Como se qualquer mar fosse azul daquele tanto

E todo dia começasse daquele jeito

Só reclama da raiva

O resto todo é fácil

O mundo reduzidinho ao mau humor

A língua coça o céu estrelado

Tua nuca

Tua fuça

Teu planeta “qual é!”

Envolvente

O branco do dente

A ponta do dedo

Tua pele é James Dean

Queimei todo meu rock

Aconteceu de achar perdido o pôr-do-sol

Soprou o destino não desperdiçado

Inverte-se amando acordado

Nada de romance, senha, telefone

Por nenhuma virada de esquina sai imune

Terça-feira, Dezembro 09, 2008


Vai tudo a trote

Velozmente

De caótica delicadeza

Demais para morrer

Demais para parar

Remoendo-se o passado

Fosse até menos selvagem

Seria doce ter vivido

Como um espasmo só

Pisando qualquer chão

Prudência de animal de grande porte

“Corpo de cavalo jovem”

Beijo seco

Pólvora

Tiro sem retorno

Romance blockbuster

Sexo de alma

Vida no centro da arena

Perplexidade invejosa

Homens adestrando cavalos

Tudo do sexo sem sexo

Coração juvenil irremediável

Nó triste na garganta

Músculos graves

Pele lisa

Impermeabilidade amorosa

Algo do clima tocante

Tudo do amor sem amor

Vingança dita e escrita

Deitam os olhos

Momentos domados

Choro contido

Tudo da magia sem magia

Cavalga os sonhos

Desce das amarras

Dogma intacto

Doutrina subvertida

Não toca o pulsar

Corpo levitando

Solo beijado

Volta sem retorno

Tratado de uma mesma sorte

Segunda-feira, Novembro 17, 2008

Minha estrada toda tenho agora

Sou só eu

Sou a luz de quem pode

Sou a sombra de quem chora

Meu fim e um sorriso

Dormindo no peito de quem amo

Por estar aprendi livremente

E ser tão longe – sinto somente

O não lido

O não quisto

Espontaneamente sou só eu

Minha estrada toda agora

Errei em vacilar pelo melhor

Mas não vacilarei futuramente

A semente do que me mantém acordado

Preservo o mundo cravado no meu coração

Um dia contarei mais dessas memórias

E não são poucas no presente feito

Miro o horizonte e aqueço o corpo

Nunca estarei sé em vão

Também me refaço dos pés ardentes

Toco o chão e volto ao passo

Levanto o olhar para o menino que fui

A esperança partida resulta em fábula

Edito sem temores meu flashback

Desarmo-me para novas armadilhas

Sigo pulsante á base de dinamite

Domingo, Novembro 09, 2008

Eram dois pássaros pousando

Enfeitiçados na miragem

Aves traiçoeiras como o tempo

Flutuam uma em cada olho

Machucam e libertam

Turvam ao bater das asas

Adormecem mesmo ferindo pupilas

Mito de desvendar

Procurar além do que se cansa

Insistindo em não ver o mesmo

Coração partido

Flechas por todo lado

É de se imaginar melhor

O peso de ser livre

Torna-se leve

Se ao acaso se faz uma vida

Premedita futuros

Desengana pretéritos

Força no que não se vê

Se ao acaso se faz uma vida

Pouso seguro no que é de voar

Se ao acaso se faz um olhar

Então será

Será de que...de que se faz tudo?

De ver? ... De viver? ...Ou de voar?